Comparativo
Impressão 3D FDM ou resina: volume, peça e cheiro
FDM constrói com filamento 1,75 mm e mesa PEI. Resina cura no tanque com LCD e filme. Volume, cheiro, IPA e peça de reposição não são intercambiáveis.
FDM e resina são impressão 3D no nome da loja e quase nada em comum na mesa. FDM (Fused Deposition Modeling) empurra filamento 1,75 mm por um bico quente e desenha a peça em camadas de plástico. Resina MSLA ilumina um LCD sob um tanque; a camada cura no filme do fundo e a mesa puxa a peça para cima. O arquivo .stl pode ser o mesmo. A peça que sai, o cheiro, o lixo e o que quebra daqui a três meses não são.
Se o projeto é suporte de prateleira, vaso, peça de drone, cosplay em PLA, comece em FDM. Se o projeto é miniatura de RPG com cintura de 4 mm, joia mestre, dente de protótipo, comece em resina. Quem compra as duas “para ver” descobre que elas pedem cantos diferentes da casa: uma quer ventilação de quarto com janela; a outra quer luva, IPA e um lugar onde gato não beba o tanque.
O tamanho que cabe de verdade
A Bambu Lab A1 declara 256 × 256 × 256 mm. A A1 Mini declara 180 × 180 × 180 mm. Setenta e seis milímetros em cada eixo mudam o que cabe: capacete de cosplay, vaso alto e gabinete de Raspberry com borda passam na A1 e travam na Mini. Miniatura de Gloomhaven, brinco e clipe de cabo cabem nas duas. Quem leva a Mini porque a foto na mesa parece compacta e depois tenta o mesmo arquivo da A1 descobre o limite na primeira peça alta.
A Elegoo Mars 5 Ultra declara cerca de 153 × 78 × 165 mm. Cabe miniatura, não cabe o vaso da A1. A família Saturn cresce no XY: várias peças de 32 mm lado a lado, ou um busto maior. Mars contra Saturn é duelo de tanque e de filme, não de “qualidade 9K” no anúncio. O filme da Mars não fecha no tanque da Saturn. O LCD também não.
P1S e X1 da Bambu fecham a caixa. A1 e A1 Mini são abertas. PLA e PETG-HF vão bem no aberto. ABS, ASA e nylon fedem e empenam com corrente de ar; caixa fechada ou recinto ajuda. Resina já vem “fechada” no tanque, mas o cheiro de monômero atravessa a tampa se a sala for pequena.
O que para a impressão no meio da noite
Em FDM, o desgaste do dia a dia é bico, hotend e mesa PEI. Na A1 o catálogo aponta hotend completo, bico 0,4 mm e mesa texturizada. O hotend da Mini não é o da A1: o bloco muda. AMS Lite encaixa nas duas, com suporte próprio. Filamento embola no PTFE, bico tapa com glitter barato, mesa perde adesão quando a gordura da mão sobra no PEI. Álcool isopropílico na mesa resolve mais “falha de primeira camada” do que baixar mais um perfil milagroso.
Em resina, o filme do fundo do tanque (FEP ou sucessor PFA/nFEP, conforme o kit) risca e fura. A peça cura no filme; um furo vaza resina no LCD. O LCD queima com as horas de UV. Tanque da Mars 5 não é tanque da Saturn 4. Form 4 da Formlabs não aceita frasco genérico de marketplace sem o cartucho da própria linha. Quem trata filme e tela como “acessório barato” descobre o preço da tela 9K depois da segunda furo.
Resina ainda pede lavagem e cura. Álcool isopropílico (ou o lavador da marca), luva nitrílica, papel toalha, lâmpada UV ou estação de cura. A peça não sai pronta da mesa como o PLA da A1. Sai grudenta, tóxica ao toque, e o líquido residual não vai na pia.
Cheiro, saúde e o quarto da criança
PLA quente cheira a pipoca doce para muita gente; PETG um pouco mais químico; ABS é outro andar. Resina padrão de mesa cheira a oficina de unha e a monômero. Resina “low odor” reduz, não zera. Quarto fechado com criança e tanque aberto na troca de filme é má ideia. Varanda, área de serviço com janela, caixa com exaustão: escolha um. FDM aberta na estante do quarto é comum e, com PLA, aceitável para muita casa. Resina no mesmo lugar não é.
Descarte: resto de filamento vira carretel vazio. Resina não curada é resíduo químico. Resina curada em papel toalha (exposta ao sol ou UV) vira plástico rígido que muita prefeitura trata como rejeito comum — confira a regra local. Não despeje tanque na pia para “não desperdiçar”.
Software e o resto da bancada
Bambu Studio e o slicer da Elegoo/Chitubox não trocam perfil. G-code de FDM não acende LCD de resina. Cartão SD e Wi-Fi falham os dois; a A1 vive no app da Bambu, a Mars muitas vezes ainda no pen drive. Isso não decide a família. Decide o tamanho da peça e o acabamento.
Se o objetivo é gabinete, gancho, peça que leva parafuso, comece pela A1 se o volume deixar, ou pela Mini se 180 mm bastar. Se o objetivo é miniatura, comece pela Mars e pelo filme de reposição, não pela impressora “mais rápida em mm/s”. Velocidade de FDM (a A1 fala em até 500 mm/s) não se compara com tempo de exposição de camada em resina. São relógios diferentes.
O duelo A1 contra A1 Mini resolve a dúvida de volume dentro do FDM. O duelo Mars contra Saturn resolve a dúvida de tanque dentro da resina. Cruzar A1 com Mars numa tabela de “resolução” é propaganda: 0,08 mm de camada em FDM não é o XY de um LCD 9K.