Comparativo
Jato de tinta ou laser: o que muda na prática
O jato deposita tinta líquida na fibra do papel. A laser funde pó e a folha sai seca. Cor, verso, tambor e o ppm de propaganda separam as duas contas.
Jato de tinta e laser imprimem A4. A semelhança para aí. No jato, um conjunto de bicos expulsa gotas de tinta — corante ou pigmento — na fibra do papel. A folha sai úmida. No calor úmido de janeiro no litoral, o verso borra se você empilhar rápido demais. Na laser, um tambor recebe carga, o toner (pó) gruda onde a imagem pede, e um fusor derrete o pó na folha. A página sai seca, o texto sai nítido, e o cheiro é o do fusor quente, não o da tinta.
Essa física muda o que cada uma faz bem. Texto de contrato, boleto, relatório com tabela: laser monocromática. Folha com foto da criança, capa da escola, gráfico colorido de trabalho: jato. Quem precisa dos dois no mesmo dia costuma terminar com duas máquinas, não com uma “multifuncional que faz tudo” no meio do caminho.
O ppm da caixa não é o ppm da segunda-feira
A L3250 anuncia até 33 páginas por minuto em preto e 15 em cores. Esse número é rascunho, modo rápido, cobertura baixa. O número ISO — o que a Epson e a ISO/IEC 24734 medem com documento padrão — fica perto de 10 ppm em preto e 5 em cores na maior parte das EcoTank de entrada. A Brother HL-L2360DW declara até 30 ppm em A4 em laser, e esse ritmo se sustenta melhor porque o fusor não espera a tinta secar e o caminho do papel é feito para maço.
Não compare 33 ppm de jato com 30 ppm de laser como se fossem a mesma unidade. Um é pico de marketing. O outro é página seca saindo da bandeja. Se o seu “volume” é 40 páginas no domingo à noite, os dois são rápidos o bastante. Se o seu volume é a pasta de 180 páginas do processo, a laser termina o maço e o jato ainda está aquecendo a cabeça entre as cores.
Cor, pigmento e o que a laser colorida não entrega
Jato de tanque de entrada usa quatro cores (CMYK). Na L3250 a T544 é a linha de casa: bom para dever colorido e foto ocasional em papel 10×15, se você escolher o tipo de mídia no driver. Na L4260 a T504 preta é pigmentada — o texto resiste melhor a marca-d’água leve e fica mais preto no papel comum. As cores continuam corante. Isso importa em documento que vai ser manuseado, não em foto de paisagem.
Laser colorida de escritório existe e custa outra conversa: quatro toners, quatro tambores em muitos modelos, página colorida cara, foto de pele sem graça. Para a mesa da casa brasileira ela raramente se paga. A laser que aparece no ranking deste catálogo é preta. Ela ganha no texto e perde na capa da escola.
Papel também muda o resultado. Jato em papel sulfite 75 g/m² deixa a gota se espalhar; o texto fica um pouco peludo na lupa. Papel “para jato” ou couchê barato segura melhor a gota. Laser em sulfite comum é o padrão do escritório. Papel muito liso ou muito úmido (pacote aberto no chão da área de serviço) engasga as duas, com ênfase na laser, que odeia umidade.
A peça que a assistência troca — e a que você troca em casa
No jato de tanque, o consumo visível é o frasco. O risco caro é a cabeça. Nas EcoTank de entrada a cabeça é integrada: se os bicos morrerem de tinta ressecada depois de dois meses sem uso, a conta não é um cartucho de 80 reais. É assistência, e às vezes máquina nova. Por isso tanque pede uso regular — uma página em cores por semana já ajuda a circular a tinta. O guia tanque ou cartucho aprofunda essa conta.
Na laser Brother desta família, o catálogo amarra TN660 (toner) e DR630 (tambor). O toner é o pó; o rendimento típico do TN660 de alto rendimento fica em torno de 2.600 páginas ISO. O tambor transfere a imagem e dura várias cargas de toner — a Brother EUA fala em cerca de 12.000 páginas no DR630. “Substituir tambor” não é o mesmo aviso que “toner acabou”. Quem troca os dois juntos porque o painel apitou gasta à toa. No Brasil, o mesmo chassi pode chegar com TN-2340 ou TN-2370 gravado na tampa. O código da porta da máquina vence o código do anúncio.
Laser ainda tem fusor e roletes. Não são troca de supermercado. São troca de assistência, depois de muitos milhares de páginas. Jato de tanque, se você imprimir pouco, morre antes por bico seco do que por desgaste mecânico.
Quando cada uma perde
A laser monocromática perde quando a criança precisa da capa colorida amanhã, quando você quer um 10×15 decente, quando o único ponto de energia da casa é uma mesa sem espaço para o fusor esquentar o ambiente. Também perde se você imprime três páginas por mês: o toner de partida da caixa rende pouco, e a máquina ainda pede espaço e um ciclo de aquecimento para quase nada.
O jato perde quando o verso automático importa e o modelo é de entrada (L3250 vira a folha na mão). Perde quando o maço é grande e o tempo de secagem vira fila. Perde quando a casa fica fechada 40 dias de férias e ninguém mandou uma página de teste. Perde no texto jurídico que precisa parecer “impresso em cartório”: a laser ainda ganha esse olhar.
Um duelo que faz sentido
L3250 contra L4260 é duelo de tanque: mesma família, tinta diferente, verso diferente. HL-L2360DW contra MFC-L2700DW é duelo de laser: uma só imprime; a outra copia, digitaliza e manda fax. Cruzar L3250 com HL-L2360DW no mesmo gráfico de “velocidade” ensina pouco. Cruzar o trabalho da semana — cor ou texto seco, 20 páginas ou 200, scanner ou não — ensina a compra.
Se a dúvida ainda for “uma máquina só”, escolha pelo trabalho que mais dói quando falha. Na casa com escola e boleto, a falha dolorosa é ficar sem cor e sem scanner: tanque. No escritório com contrato, a falha dolorosa é texto molhado e maço lento: laser.